segunda-feira, 2 de abril de 2012

Secular ou Santo: Qual a natureza do seu trabalho fora da Igreja?


   Estou preparando uma série de mensagens chamadas “Seja bem sucedido em sua profissão”, na qual trago dicas bíblicas para o nosso dia-a-dia em nossas profissões, a qual erroneamente chamamos de profissões “seculares”.

                          Em tempo, cabe-me explicar ao leitor que não é membro de nenhuma igreja, que o termo “secular” por definição é: 1 Regime secular ou laical. 2 Espírito ou tendência secular. 3 Sistema ético que rejeita toda forma de fé e devoção religiosas e aceita como diretrizes apenas os fatos e influências derivados da vida presente; laicismo.

                       Para nós evangélicos, portanto, chama-se de “secular” tudo aqui que não tem haver com igreja ou nosso exercício religioso ! Ou seja, criou-se uma “departamentalização” do que é “espiritual” e o que é “secular”. Assim, como o antônimo de “secular” é “sacro ou eclesiástico” este conceito se fundiu na mente de muitas pessoas, modificando o modus vivendi do cristianismo. Como uma coisa é uma coisa, e a outra é outra coisa, vivemos o religioso no ambiente eclesiástico e o secular no ambiente extra eclesiático. Isto é um enorme erro do ponto de vista bíblico, pois a vida cristã é um estilo diário de vida !
                    
                      Na prática é viver o cristianismo como religiosidade expressa nos dias de convívio eclesiástico, e a vida fora da igreja de forma “secular”. Desta forma, não é de se estranhar o elevadíssimo número de comentários e contestações de natureza negativa que ouvimos quando temos convívio com um empregado ou um empregador que se diz evangélico.

                     Em 1 Co. 10: 31, lemos: “Portanto, quer comais quer bebais, ou façais outra qualquer coisa, fazei tudo para glória de Deus." Porém, quando vamos ver na prática... a coisa é bem diferente...

                   O Cristão não deve ser metido, orgulhoso ou presunçoso. Porém, deve buscar a excelência em tudo o que faz. Isto é um mandamento. Mas, como aquilo que fazemos “fora da igreja” é chamado de “secular”, então não entendemos que uma forma poderosa de pregar o evangelho é sendo exemplar em nossa conduta profissional.

                  Há alguns anos, conheci o Instituto Haggai. Uma das maiores lições que aprendi com esta organização é que meu trabalho é “meu ministério”. Pois, tudo que faço para o meu próximo é um exercício de um dom ou talento. Isto é tão forte para o Haggai, que das 10 bolsas oferecidas, 7 são para líderes que atuam fora do ambiente eclesiástico, ou seja, no conhecido ambiente chamado “secular”.

                       Como conseqüência do pós-modernismo, o relativismo ético acatou veementemente o viver cristão. Muitos procuram os pregadores de milagres à procura de progresso material na área empresarial, mas se esquecem do compromisso de buscar o conhecimento dos padrões divinos que devem nortear a vida de quem realmente deseja agradar à Deus.

                      Minhas experiências com maus profissionais vão desde pedreiros que não terminam as obras até a padaria de nome gospel aonde o presunto é vendido ao dobro do preço de mercado. O Por que disto? Porque as pessoas estão sendo ensinadas que se entregam seu dízimo na igreja, se cantam hinos aos domingos, a vida nos outros dias da semana é tempo gasto no “emprego secular”.

                    Eu fico pensando, que Jesus antes de iniciar seu ministério, trabalhava com seu Pai terreno na marcenaria. Com toda a certeza, Jesus não fazia nada “meia boca”. Era tudo com excelência! Ou seja, Jesus não encarou sua profissão de Marceneiro como algo secular.

                  A falta de excelência, ou seja, a Mediocridade, afeta o testemunho cristão eficaz. Hoje em dia, até mesmo cristãos evitam fazer qualquer tipo de negócio com outro cristão, simplesmente para evitar dores de cabeça com cristão que desconhecem questões mínimas e essenciais sobre ética profissional.

                 A culpa desta situação, ao meu ver, é a pregação demasiada sobre a “busca desenfreada por bênçãos materiais”. A Igreja secularizou a mensagem do evangelho, facilitando a adesão de novos membros sem o discipulado. O maior paradoxo é que, ao encontrarmos uma pessoa que deixa o exercício de um ministério eclesiástico e se dedica à uma profissão “fora das 4 paredes da igreja” como um ministério, logo ele é taxado de estar no mundo “secular”.

                A maior pedra de tropeço nos dias atuais é o cristão que, apesar de ter uma bíblia sobre sua mesa, não vive uma sílaba do que lá está escrito durante o seu cotidiano.

               O pior eu ainda não disse... Tente exortar um destes cristãos com mentalidade de “emprego secular”. Diga que vender produtos fora da tabela não é certo, reclame que o serviço ficou ruim ou exorte que um cristão não pode ser agiota (serve o nome bonito “factory”)...  Você com certeza vai ser  chamado de “Carnal”, “Chato” e “Radical”.

              Recentemente, tomei a decisão de não viver apenas dependendo do sustento de uma igreja local. Assim, como o apóstolo Paulo, decidi “fazer tendas” (aliás, eu acredito que as tendas de Paulo eram excelentes!).

             Não importa o número de pessoas que eu influencio com os padrões do evangelho, a quantidade de me ouve pregando a palavra literalmente ou as portas que são abertas para que o evangelho entre na mídia social de forma positiva. Não importa, estou mesmo no emprego “secular”!

             Esta na hora de profissionais que confessam a fé em Jesus olharem para seus empregos ditos “seculares” com olhos de quem tem visão do imenso campo missionário que podemos atingir.

             Apenas em 2011, através da astronomia e da Ouvidoria, meu convívio foi com um público superior há 6000 pessoas, sendo 99% pessoas sem igrejas. Eu pergunto: “Qual campanha de evangelismo atinge este público em nossas igrejas?”

              Imagine você, profissionais da educação, saúde, ciência, transportes, justiça, segurança pública... todos anunciando Jesus no seu modo de viver, na sua ética e no seu testemunho de ações práticas?

              Talvez seja isto que ainda permita uma igreja ter visitantes à cada final de semana, porque ainda há gente testemunhando de segunda à sexta, sem pensar que é uma atividade “secular”.